Em resumo
- Por cá manda a artificial, e a natural é que é a escolha invulgar. Nos países frios da Europa passa-se o contrário.
- Entre as naturais, dez dias numa sala aquecida deixam o abeto Nordmann ainda com 48 % de água e a epícea reduzida a 30 %.
- Uma natural cortada anda entre os 65 e os 170 €. Uma artificial de 180 cm fica por 40 a 140 € e serve vários anos.
- Segundo a DECO PROteste, uma árvore de plástico precisa de sete épocas de uso para deixar de sair a perder no ambiente.
Comecemos pelo nome, porque em Portugal ele engana meio mundo: aquilo a que chamamos pinheiro quase nunca é um pinheiro.
O que vai encontrar no artigo:
- Pinheiro, abeto ou epícea
- Porque é que o abeto não deixa cair as agulhas
- Natural ou artificial
- Agulhas de PVC ou de PE
- Alugar a árvore em vez de a comprar
- A árvore em vaso e a promessa de a replantar
- Como manter fresca uma árvore cortada
- Uma árvore seca arde depressa
- Que altura escolher
- O que fazer com ela depois do Dia de Reis
- Perguntas frequentes
Pinheiro, abeto ou epícea
Em português diz-se pinheiro de Natal por hábito, herdado do tempo em que a árvore era mesmo a copa de um pinheiro-bravo cortado ao monte. Hoje praticamente nenhuma árvore de Natal vendida cá é um pinheiro. São abetos e epíceas, e a diferença entre eles decide se em janeiro ainda tem árvore ou apenas um pau com bolas.
A distância entre espécies não é uma impressão, é uma coisa medida. Investigadores da Universidade Mendel, em Brno, registaram a velocidade a que cada espécie perde água numa sala aquecida. Uma árvore acabada de cortar tem cerca de 60 % de água; ao fim de dez dias, umas ainda guardam quase tudo e outras já não têm nada que as segure.
| Espécie | Como aparece nas lojas cá | O que acontece dentro de casa | Preço |
|---|---|---|---|
| Abeto Nordmann | a natural mais vendida, quase sem cheiro | ao fim de dez dias ainda tem 48 % de água e aguenta até à primavera | 80 a 170 € |
| Epícea, a Picea abies | a alternativa barata, de cheiro intenso | desce aos 30 % em dez dias e fica pelada em duas semanas | a partir de 65 € |
| Picea glauca em vaso | a pequena, entre 40 e 115 cm | vive enquanto for regada e ficar longe do aquecedor | 13 a 60 € |
Os valores de secagem vêm das medições da Universidade Mendel, na Chéquia. Os preços são de vendedores portugueses na época de 2025, para árvores até dois metros.
O abeto Fraser aparece de vez em quando nos hortos maiores e comporta-se como o Nordmann, com um cheiro mais presente. Já o pinheiro e o abeto azul, que no centro da Europa são clássicos de Natal, praticamente não se encontram à venda cá, portanto não perca tempo à procura deles.
Porque é que o abeto não deixa cair as agulhas
São duas razões e as duas dá para ver a olho nu.
O abeto tem nas agulhas uma camada de cera mais espessa, que trava a evaporação. A epícea tem-na fina e por isso perde água mais depressa. Depois há a maneira como a agulha se agarra ao ramo: no abeto assenta pela face larga, na epícea toca no ramo apenas numa pontinha. Quanto menor a área de contacto, mais cedo a ligação seca e a agulha se solta.
É por isso que não há cuidado nenhum que salve uma epícea colocada ao lado de um aquecedor. O calor e o ar seco só aceleram um processo que já estava em marcha.
Natural ou artificial
Prós
- A natural cheira, vem de um recurso renovável e no fim vira composto ou biomassa
- Não a tem de guardar onze meses em cima do roupeiro
Contras
- Volta a comprá-la todos os anos, e cá é preciso encomendá-la a um horto ou a um florista
- Deixa cair agulhas e tem de ser regada todos os dias
Prós
- A artificial não larga nada, não se rega e volta a usá-la no ano seguinte
- Resolve a vida a quem tem alergias e a quem não tem onde comprar uma natural
Contras
- É feita de plástico que na prática não se recicla e não entra no ecoponto
- Só se paga a si própria ao fim de muitos Natais
Esta última alínea merece números, porque é onde há mais confusão. A DECO PROteste comparou uma árvore de plástico de 7 kg feita na China com uma natural cultivada em Portugal durante onze anos até chegar aos dois metros, e concluiu que a de plástico tem cerca de sete vezes o impacto ambiental da natural e só empata a partir do sétimo Natal em que é reutilizada.
O cálculo internacional mais citado, do gabinete canadiano Ellipsos, é bem mais duro e fala em mais de vinte anos. Outras estimativas ficam pelos dez. O problema é o mesmo em qualquer um dos cenários: a casa média deita a árvore artificial fora ao fim de cerca de seis épocas, ou seja, antes de qualquer uma destas fasquias ser atingida. Se comprar artificial, compre uma que lhe agrade o suficiente para não a querer trocar.
Agulhas de PVC ou de PE
O preço das artificiais vai dos vinte e poucos euros, nas mais pequenas, até aos duzentos e muitos nos modelos que imitam a coisa real. A diferença entre uma barata e uma cara vê-se nos ramos, e as etiquetas cá indicam-na pelo material.
- PVC. As agulhas saem de folha de PVC cortada em tiras. São planas e à vista parecem papel. Uma árvore só de PVC é sempre a opção mais barata.
- PE, ou polietileno. As pontas são moldadas, portanto têm volume e forma a sério. Parecem verdadeiras e custam mais.
- A mistura. Põe as pontas de PE por fora dos ramos e as tiras de PVC por dentro, onde ninguém repara. É o melhor compromisso entre preço e aspeto.
Ao escolher, aperte a ponta de um ramo. Se as tiras voltarem à posição e não ficarem torcidas, a árvore sobrevive a mais do que uma montagem. Procure também na etiqueta as palavras ignífugo ou retardante de chama, que na oferta portuguesa são comuns e valem o que custam.
Antes de decidir a altura e o feitio, vale a pena ver a variedade que há hoje em árvores de Natal, incluindo os modelos estreitos, feitos de propósito para salas pequenas.
Alugar a árvore em vez de a comprar
Isto é uma solução que quase não existe noutros mercados e cá está montada e a funcionar.
O Pinheiro Bombeiro aluga, na Grande Lisboa e no Grande Porto, pinheiros que iam ser cortados de qualquer maneira nas limpezas de floresta, por 20 a 25 € a época, com uma parte do valor a reverter para os bombeiros voluntários. A Planta Livre, um produtor com viveiros em Sintra e em Cabeceiras de Basto, aluga abetos vivos a partir de 50 €, com entrega, recolha e plantação posterior incluídas.
Para quem não tem jardim nem quer plástico em casa, é hoje a saída mais limpa das três. E ao contrário da árvore de vaso comprada à pressa, quem trata do replante é quem percebe do assunto.
A árvore em vaso e a promessa de a replantar
Parece a melhor de todas as soluções, só que tem um senão de que se fala pouco.
O que decide é a raiz, não o vaso. A árvore tem de ter sido criada no recipiente durante pelo menos uma época. Os exemplares que alguém enfiou num vaso pouco antes de os pôr à venda têm as raízes cortadas e não pegam no jardim. Reconhece-os com facilidade: saem quase sem resistência e a terra desfaz-se ao puxar.
E há um obstáculo que em Portugal pesa mais do que em qualquer país do norte: o abeto Nordmann e a Picea glauca são espécies de clima frio, feitas para invernos longos. O horto Viplant, que as vende, diz sem rodeios que a ideia de que qualquer árvore de Natal natural pode ser replantada e viver feliz para sempre é uma ideia romantizada, sobretudo no centro e no sul do país. Duas ou três semanas numa sala quente e seca já deixam a planta em stress.
Se avançar mesmo assim, siga três regras: no máximo duas a três semanas dentro de casa, regar sem encharcar e usar luzes de Natal de LED, que não aquecem a copa. Depois das festas não a leve de um dia para o outro para a rua, deixe-a adaptar-se numa garagem ou numa marquise fresca e plante-a no início de janeiro, num dia de sol, em terreno solarengo mas não escaldante.
Como manter fresca uma árvore cortada
Deixe-a uns dias num sítio fresco
Numa varanda ou numa garagem a árvore adapta-se devagar. Passar do frio da rua para uma sala aquecida de uma vez é o salto mais violento que lhe pode dar.
Corte a base do tronco
Bastam uns centímetros. Um corte fresco reabre os canais por onde a árvore bebe.
Ponha-a num suporte com água
Com um depósito de pelo menos três litros, porque num dia chegam a desaparecer cinco decilitros.
Verifique o nível todos os dias
Assim que a água desce abaixo do corte, o tronco fecha-se com resina e deixa de beber. Encher depois já não resolve.
Mantenha-a longe do calor
Nem aquecedor, nem lareira, nem a parede onde bate o sol da tarde. O ar seco derruba as agulhas mais depressa do que qualquer outra coisa.
Uma árvore seca arde depressa
Este não é um aviso de quem tem medo de tudo, é aritmética.
Ao fim de umas três semanas numa divisão aquecida, uma árvore natural fica tão seca que basta uma chama pequena para pegar fogo às agulhas. A madeira inflama-se entre os 250 e os 350 °C, e uma vela de cera ultrapassa isso com folga a poucos centímetros de distância. As seguradoras portuguesas repetem todos os anos a mesma lista de acidentes domésticos de dezembro, e as velas ao pé da árvore ou das cortinas estão sempre lá.
Daí três regras que não custam nada: velas só longe da árvore e sempre sobre base incombustível, luzes desligadas quando sair de casa ou se for deitar, e a árvore regada, porque uma árvore húmida é muito mais difícil de incendiar do que uma seca. Se tiver uma artificial, o rótulo ignífugo faz aqui o trabalho que a água faz na natural. Sobre a escolha do próprio fio de luzes há um guia à parte com as classes de proteção e o consumo.
Que altura escolher
Meça o pé-direito antes de ir comprar. Num apartamento recente conte com dois metros e meio a dois metros e setenta; nos prédios antigos de Lisboa e do Porto os tetos passam muitas vezes dos três metros.
A essa altura tire o suporte e a estrela do topo. Quando estiver indeciso entre duas medidas, leve a mais pequena: uma árvore entalada contra o teto parece apertada e a estrela nunca fica direita. Não se esqueça da largura, porque os ramos de baixo variam muito de modelo para modelo e uma árvore estreita liberta meio metro de sala.
O que fazer com ela depois do Dia de Reis
A parte que quase ninguém planeia e que cá está resolvida melhor do que se pensa.
Em Lisboa, a câmara recolhe árvores naturais nos postos de limpeza durante a primeira quinzena de janeiro e manda-as para compostagem, com recolha ao domicílio mediante pedido. No Porto, a recolha de verdes à porta de casa é gratuita e o material segue para a central de valorização orgânica da Lipor. Vários hortos recebem de volta, sem custo, as árvores que venderam.
A artificial é outra história: é plástico com metal e não vai para o ecoponto, porque não é embalagem. Se ainda estiver apresentável, ofereça-a ou venda-a; se não, é resíduo indiferenciado. Vale também lembrar que grande parte da decoração de Natal dura muito mais do que a árvore, portanto guardá-la bem arrumada poupa a compra do ano seguinte.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor árvore de Natal natural em Portugal?
O abeto Nordmann. Seca muito mais devagar do que as outras, quase não larga agulhas e não tem cheiro forte, o que agrada a quem é sensível a odores. Em contrapartida é a mais cara.
Quanto custa uma árvore de Natal natural?
Uma epícea começa à volta dos 65 € e um abeto Nordmann cortado anda entre os 80 e os 170 €, conforme a altura. Alugar uma sai por 20 a 50 € a época.
Compensa mais comprar uma árvore artificial?
Na carteira compensa, se lhe der uso prolongado. Na pegada ambiental a conta é outra: os consumidores portugueses apontam sete anos para o empate e há estudos que exigem vinte, mas a maioria das famílias substitui-a antes disso.
Quanta água bebe uma árvore de Natal?
Meio litro num dia de inverno. Conta menos o volume e mais a constância, porque assim que o corte fica exposto ao ar a resina sela a passagem e a planta deixa de absorver o que lhe puser no suporte.
A árvore de vaso sobrevive se a plantar no jardim?
Depende de ter sido criada em vaso desde início, e mesmo aí o clima do litoral sul e do interior quente joga contra espécies habituadas a invernos longos. Quem as comercializa é o primeiro a dizer que a história do replante feliz é um exagero.
Quanto tempo pode estar uma árvore em vaso dentro de casa?
Passar de vinte dias já é forçar. A seguir precisa de uma fase intermédia num espaço fresco para reencontrar a temperatura exterior antes de ir para a terra.
Onde se põe a árvore de Natal a seguir às festas?
Se for viva, entregue-a nos pontos municipais de resíduos verdes, que a transformam em composto, ou devolva-a a quem lha vendeu. Se for de plástico, não tem lugar no ecoponto por não ser embalagem: ofereça-a a alguém ou trate-a como lixo comum.
Que este ano a árvore lhe chegue verde ao Dia de Reis!























