Saltar para o conteúdo
Saltar para o rodapé
Como aquecer a casa e quanto custa cada hora

Como aquecer a casa e quanto custa cada hora

De manhã a sala está a 15 °C, não há aquecimento central para ligar e a dúvida repete-se todos os invernos: termoventilador, radiador a óleo ou painel de infravermelhos? Um aparelho elétrico compra-se numa tarde, só que entre os vários tipos há diferenças de dezenas de cêntimos em cada hora de funcionamento. Fizemos as contas ao que consome mesmo cada um deles. E dizemos-lhe onde cada peça faz sentido e onde só serve para engordar a fatura.

Gostas dos nossos artigos?

Adiciona o Biano como fonte preferida e vê as nossas publicações mais vezes no Google.

Preferir o Biano

Em resumo

  • Os aparelhos elétricos diretos convertem em calor 100 % da energia que recebem, por isso a despesa não depende do tipo, mas da potência em watts.
  • A 0,2435 € por kilowatt-hora, uma hora com um convetor de 2000 W sai a 0,49 €; com um painel de infravermelhos de 600 W fica em 0,15 €.
  • Mais barato só com ar-condicionado em modo de aquecimento, que entrega a mesma quantidade de calor com cerca de um terço da eletricidade.
  • Nada de extensões: o aparelho vai direto à tomada e num disjuntor de 16 A cabe um de cada vez.

Começamos pelo preço, porque sem ele não consegue comparar mais nada.

Preço por hora

Tabela do custo de uma hora de aquecimento elétrico por potência, de 500 a 2500 W, calculada a 0,2435 € por kilowatt-hora
Fonte: Biano

Sai de um único número na etiqueta. Divida os watts por mil e multiplique pelo preço do kilowatt-hora. Segundo o Eurostat, no segundo semestre de 2025 as famílias portuguesas com consumo entre 2500 e 4999 kWh por ano pagaram 0,2435 € por kWh, impostos incluídos. É com esse valor que contamos daqui para a frente.

  • 500 W: 0,12 €
  • 1000 W: 0,24 €
  • 1500 W: 0,37 €
  • 2000 W: 0,49 €
  • 2500 W: 0,61 €

O autocolante «baixo consumo» não muda nada nesta conta. Qualquer resistência elétrica devolve à divisão exatamente o calor que tirou da tomada, tenha custado 30 € ou 300 €. As diferenças entre tipos não estão no consumo, estão na rapidez e na direção com que entregam esse calor. O mais rápido resolve a questão em poucos minutos.

Convetor

Aspira o ar frio junto ao chão, empurra-o por uma resistência e devolve-o à divisão já aquecido. Oferece 1000 a 2000 W e dois ou três níveis de potência. Quase todos trazem termóstato e desligam assim que chegam à temperatura marcada, por isso o gasto real fica abaixo da potência máxima.

Encaixa numa divisão que aqueça por períodos curtos e onde queira conforto imediato: o escritório, o quarto antes de se deitar, o quarto de hóspedes.

  • Sobe a temperatura do ar mais depressa do que qualquer outro tipo
  • Encontra modelos a partir de 30 €
  • Leve e fácil de mudar de sítio

Contras:

  • Potência alta, portanto a hora mais cara
  • Seca o ar e levanta pó
  • O calor dura só enquanto estiver ligado

Painel de infravermelhos

Painel de infravermelhos branco fixado na parede de uma sala de estar
Foto: gerada por IA

Não aquece o ar, aquece os objetos e as pessoas que tem à frente. Funciona como o sol numa manhã fria de janeiro: à sombra sente frio, ao sol sente-se bem, e o termómetro marca o mesmo nos dois sítios. Fixa-se na parede ou no teto, parece uma placa branca e na sala passa despercebido.

É também por isso que costuma poupar. A potência anda entre 300 e 900 W e, com a mesma sensação de conforto, pode manter o ar dois a três graus abaixo.

  • A despesa mais baixa entre os aparelhos diretos
  • Não levanta pó, boa escolha para quem tem alergias
  • Silencioso, não tem ventilador

Contras:

  • Demora, o efeito pleno chega ao fim de meia hora
  • Tem de o «ver»: atrás do sofá ou de um cortinado não serve de nada
  • Fica preso à parede, não anda consigo de divisão em divisão

Radiador a óleo

Radiador a óleo junto à cama de um quarto
Foto: gerada por IA

O clássico de aletas, com óleo lá dentro que segura a temperatura muito depois de o desligar. A potência vai de 1000 a 2500 W, mas a inércia faz com que o termóstato ligue só de vez em quando. Arranca em vinte minutos e a divisão continua agradável durante mais uma hora.

Dá o seu melhor onde aquece a noite inteira e não se importa de esperar: no quarto, no quarto das crianças, na casa de férias. No catálogo encontra-o entre os aquecedores.

  • Mantém o calor depois de desligado
  • Completamente silencioso
  • A superfície não queima como a de uma resistência exposta

Contras:

  • Pesado, mudá-lo de divisão é um exercício
  • Precisa de vinte minutos até aquecer
  • Ocupa um bom bocado de chão

Termoventilador

Uma caixa pequena com resistência e ventilador, por vinte e poucos euros. Dá conforto imediato e sopra diretamente para si, o que agradece na casa de banho ou debaixo da secretária. Como fonte principal não chega.

  • A compra mais barata, muitos modelos abaixo dos 25 €
  • Larga ar quente em poucos segundos
  • Cabe em qualquer canto

Contras:

  • Barulhento
  • Potência entre 1500 e 2000 W, a hora sai cara
  • A resistência queima o pó e passado um bocado nota-se no cheiro

Lareira elétrica

Junta uma resistência a uma imitação de chama. A ilusão de fogo sozinha gasta cerca de 10 W, por isso pode deixá-la acesa a noite inteira quase de graça e acionar a resistência só quando precisa. A parte que aquece anda pelos 2000 W, como um convetor.

Compra-se sobretudo pelo ambiente e esse é um motivo legítimo. Se quer chama a sério e tem por onde tirar a conduta de fumos, veja antes as lareiras e salamandras.

  • Fogo sem chaminé, sem cinza e sem lenha
  • No verão continua a funcionar como decoração
  • Pode ficar encastrada na parede ou dentro de um móvel

Contras:

  • Aquece menos do que o tamanho promete
  • Os preços começam à volta dos 150 €
  • De perto, a chama denuncia-se

Ar-condicionado a aquecer

Unidade interior de ar-condicionado na parede de uma sala de estar
Foto: gerada por IA

O único aparelho que ultrapassa aquele teto de 100 %. Não fabrica calor, bombeia-o de fora para dentro, e por isso tira de cada kilowatt-hora de eletricidade três a quatro vezes mais energia térmica. A hora fica em 0,12 a 0,16 € em vez dos 0,49 € do convetor.

Cá em Portugal isto vale ouro por um motivo simples: muita gente instalou uma unidade para o verão e nunca carregou no botão do sol. Se é o seu caso, a forma mais barata de aquecer a casa já está pendurada na parede.

  • O custo por hora mais baixo de todas as opções
  • No verão arrefece
  • A maioria dos modelos filtra e desumidifica o ar

Contras:

  • Investimento inicial alto e instalação por técnico
  • Unidade exterior na fachada, em prédio precisa da autorização do condomínio
  • Nas noites de geada, no interior do país, o rendimento cai

Onde cabe cada um

Para dez minutos na casa de banho chega o termoventilador; à secretária e numa divisão onde fique sentado horas seguidas, ganha o painel de infravermelhos. No quarto entra o radiador a óleo por causa do silêncio, na garagem ou nos arrumos entra o convetor, porque não obriga a esperar. Aquece a eletricidade todos os invernos e quer uma única fonte para a casa inteira? Então o candidato sério é o ar-condicionado.

Seja qual for a escolha, calcule antes quantas horas o vai deixar a trabalhar. Um aparelho de 2000 W ligado quatro horas por dia durante os três meses mais frios acrescenta cerca de 175 € à fatura anual. Com cortinas térmicas ou opacas corridas ao fim da tarde, segura a mesma temperatura por muito menos.

Disjuntor e segurança

Um aparelho de 2000 W puxa cerca de 9 A. O circuito de tomadas de um apartamento costuma ter um disjuntor de 16 A, portanto duas resistências ao mesmo tempo fazem-no saltar. Distribua-as por divisões diferentes.

  • Ligue o aparelho diretamente à tomada, as extensões sobreaquecem
  • Nunca ponha roupa a secar em cima da grelha nem à frente dela
  • Deixe pelo menos um metro livre à volta da saída de ar
  • Para a casa de banho escolha um modelo com proteção IP24 no mínimo
  • Equipamento sem termóstato não fica ligado durante a noite

Um aviso à parte para os aquecedores a gás butano, ainda muito comuns cá: cada hora de chama liberta para dentro de casa perto de meio litro de água, que vai acabar nos vidros e nos cantos frios. Se usa um, deixe sempre uma janela entreaberta.

Antes de encomendar seja o que for, dê uma volta pela casa e repare por onde entra o ar de fora. As caixas de estore e os caixilhos de alumínio sem corte térmico são os suspeitos do costume, e vedá-los custa poucos euros. Que este inverno a sua casa esteja finalmente quente!

Saltar para o topoVoltar ao topo